Uma eterna aprendiz do design

Esse mês fui convidada para palestrar sobre Design estratégico na semana acadêmica de Gestão da Informação da UFPR. Além de deixar aqui meu agradecimento público pela memória incrível que sempre terei desse momento, não só por ter conhecido pessoas maravilhosas mas por ter ministrado essa atividade ao lado de uma ex-aluna, amiga adorada e profissional que tem minha admiração e respeito, Ysis Mori. 

 

Esse post, na verdade, surgiu de reflexões posteriores. 

Quando fui convidada, ficou claro que o motivo era a minha abordagem ao conteúdo prioritariamente ao que de fato eu fosse expor como referências, modelos ou ferramentas. Com tal confiança e liberdade criativa, decidimos abordar o tema do design estratégico por uma perspectiva pessoal e profissional paralelamente, expondo em cada passo de uma jornada uma história mas também passos de criação de uma linha de raciocínio além do conhecimento, criando de fato uma experiência. O conteúdo, o fluxo e as premissas surgiram naturalmente no planejamento e durante a palestra, um diálogo natural se deu de forma orgânica e um tanto não planejada. Nessa altura, já me parece impossível desintegrar a humanidade da emoção e da intuição das minhas atividades, essa não foi diferente. Com a compreenção de uma platéia participativa e realmente presente naquele momento, falei abertamente sobre a importância de se compreender a lógica das coisas antes delas mesmas, em especial sobre como o design estratégico me ensinou essa lição. 

Em 2008, quando comecei a estudar design, nunca imaginaria que ele me levaria para tantos lugares, que me traria oportunidades e pessoas que são parte de quem eu me tornei. Em especial, nunca imaginei que tantas mudanças, não só de país e contexto profissional, mas pessoais seriam parte dessa jornada. Por anos, me via com um caminho a ser trilhado, passos a serem seguidos, coisas a serem realizadas, sucesso para ser atingido. Ai, se eu soubesse o que me aguardava... Sem saber, mudando de nichos e de idéias, eu encontrava a cada passo mais clareza sobre o que me direcionava para cada uma dessas coisas que, naquele momento, eram absolutamente desconectas. Mas esses são os fatos, o que de fato eu aprendi? O design me ensinou a não saber. Não saber o que, nem quando, nem como, nem com quem. E foi não sabendo, mas buscando eu encontrei pessoas, insights, respostas, perguntas, conhecimento, emoções, experiências e em cada uma dessas pequenas coisas, eu me encontrava. 

Em agosto do ano que vem, será meu décimo ano nessa jornada. Em cada pequeno passo, foi se formando uma história. Meu mais sincero muito obrigada à todos nessa palestra, nos cafés, chás, corredores, salas e ruas que ouviram e me ajudaram a conectar os pontos e costurar as partes. Cada pequena interação foi essencial. E 9 anos depois, fico feliz em pensar que ainda estou só começando, não pela falta de aprendizado, mas por ter mudado. Mudança essa que me afastou daquela linha que eu imaginei pra mim no começo, mas que com todas as suas curvas, de certa forma, me trouxe mais rápido e mais plenamente ao coração dos meus desejos e sonhos. 

Muito obrigada ferramentas, vocês me deram o começo. 

Muito obrigada experiências, vocês me deram parâmetros.

Muito obrigada conhecimento, você me deu perspectiva.

Muito obrigada lógica, você me deu liberdade.

Muito obrigada design, você me deu significado. 

E sem saber, continuo, como comecei: uma eterna aprendiz do design.